domingo, 29 de agosto de 2010

29/08/2010 - Recife Papa Gente (Praia do Forte)

Chegamos em Praia do Forte (Mata de São João) por volta das 12:30h e ficamos esperando o caseiro vir abrir a cancela da área onde será implantado o empreendimento a fim de permitir que a gente chegue até a praia na área de influência.

Ao todo são 3m de praia e todo o trecho das piscinas do recife Papa Gente fazem parte da área de influência do empreendimento.

Eramos dois dentro d'água fazendo o levantamento da biota marinha, e dois em terra, um fazendo coletas para o estudo sobre a vegetação local (flora) e outro conversando com pescadores a fim de obter mais informações sobre a biota local.

A água estava excepcionalmente clara levando em consideração as informações que tive durante toda a semana que indicavam ventos, maré grande (lua cheia) e muita suspensão na água ... realmente, fora das piscinas a água apresentava miuta suspensão e por conta disso não apresentava condições de trabalho, porém nas piscinas a visibilidade estava excelente na grande maioria dos pontos, piorando apenas a medida que iamos nos aproximando do mar aberto.

Caímos na água às 13:00h em ponto, fizemos PVAs (Procuras Visuais Ativas) para o levantamento de peixes utilizando um método elaborado para aves chamado Lista de Mackinnon, um método que se mostrou eficiente para a tomada de dados qualitativos e determinação de indices simples como a abundância relativa, ao todo foram feitas 20 listas e foram tregistradas 40 espécies de peixes de 22 famílias distintas, com destaque para cardumes tainhas (Mugil sp.) (família Mugilidae) e um agulhão (Tylosurus sp.) (família Belonidae) com mais de 70cm de comprimento que nadavam na área do recife que não aflorava mas que também não apresentava profundidade superior a 50cm. Estes peixes chamavam a atenção de diversos pescadores com tarrafas e de caçadores-submarinos que disputavam por este espaço.

Tainhas (Mugil sp.)


Agulhão (Tylosurus sp.)


A família com maior número de espécies registradas foi Labridae (que hoje abrange também as espécies antes consideradas como da família Scaridae) com sete espécies registradas (Halichoeres brasiliensis, H.poeii, H.penrosei, H.bivittatus, Thalassoma noronhanum, Sparisoma axillare e S.frondosum).

Thalassoma noronhanum

Outra família bem representada foi a Serranidae com cinco espécies registradas (Cephalopholis fulva, Epinephelus adscensionis, Mycteroperca bonaci, Rypticus bistrispinus e R.saponaceus), com um destaque para um badejo (M.bonaci) com mais de 2kg.

A família Pomacentridae apresentou registro para quatro espécies (Abudefduf saxatilis, Stegastes fuscus, S.variabilis e Chromys multilineata. As famílias Haemulidae e Acanthuridae apresentaram registro para três espécies cada (Anisotremus virginicus, Haemulon parra, Ocyurur chrysurus, Acanthurus bahianus, A.chirurgus e A.coeruleous).

Cromis (Chromys multilineata)

Foram registradas ainda as famílias Holocentridae (Holocentrus adscensionis e Myripristis jacobus), Labrisomidae (Labrisomus cricota e L.nuchpinnis), Lutjanidae (Lutjanus alexanrei e L.jocu), Gobiidae (Coryphopterus glaucofraenum e Bathygobius soporator), Ophichthidae (Myrichthys ocellatus), Engraulidae (Engraulis sp.), Scorpaenidae (Scorpaena plumieri), Grammatidae (Gramma brasiliensis), Apogonidae (Apogon americanus), Sciaenidae (Odontoscion dentex), Mullidae (Pseudupeneus maculatus), Chaetodonthidae (Chaetodon striatus), Kyphosidae (Kyphosus sp.) e Blennidae (Ophioblennius trinitatis).

Mutuca (Myrichthys ocellatus)

Já os invertebrados foram apenas registrados de forma a contemplar um levantamento qualitativo simples:

CNIDARIA: Favia sp. (Cora-cerebro), Halocordyle sp. (Hidroide), Mussismilia hispida (Coral-cerebro), Palythoa caribaeorum (Baba-de-boi), Palythoa grandis, Physalia physalis (Caravela-portuguesa), Siderastrea stellata (Coral-cerebro) e Zoanthus sp.

Coral-cerebro (Mussismilia hispida)

ANNELIDA/POLYCHAETA: Hermodice carunculata (Poliqueta-de-fogo)

Poliqueta-de-fogo (Hermodyce carunculata)

CRUSTACEA: Callinectes sp. (Sirí), Diogenidae (Ermitões), Panulirus laevicauda (Lagosta-cabo-verde) e Stenorhynchus seticornis (Carangueijo-aranha)

Carangueijo-aranha (Stenorhynchus seticornis)

MOLUSCA: Aplysia sp. (Lesma-do-mar), Micromela undata (Micromela), Navanax aenigmaticus (Lesminha-misteriosa) e Prosobranchia (Buzos)

Lesminha-misteriosa (Navanax aenigmaticus)


Micromela (Micromela undata)

ECHINODERMA: Echinometra lucunter (pinaúna), Eucidaris tribuloides (Ouriço-satélite), Diadema antillarum (Ouriço-rei) e Ophioderma cf. cinereum (Vó-de-polvo)

Pinaúna (Echinometra lucunter)

Além dos peixes e dos invertebrados, fotografei algumas espécies de algas, grupo que não domino mas seguem algumas das imagens que fiz. Se por acaso a identificação taxonômica não estiver correta, não se acanhe em me corrigir por mensagem ou comentário que com certeza farei a correção. Seguem as algas:

Dictyosphaeria cavernosa


Caulerpa sertularioides


Caulerpa racemosa


Padina sp.


Dictyota sp.


Dictyota sp.


Halimeda sp.


O mergulho teve duração de 74 minutos e estava mergulhando também o Daniel "Billy".

Após o mergulho foram verificadas ainda as poças de maré e foram registrados peixes como a maria-preta (S.fuscus) (família Pomacentridae), especialmente jovens e recrutas, e o amboré (B.soporator) (família Gobiidae), ambos abundantes em todas as poças.

Outros peixes observados em muitas das poças verificadas foram recrutas e jovens de sargentinhos (A.saxatilis) (família Pomacentridae) e recrutas de tainhas (Mugil sp.) (família Mugilidae).

Em menor quantidade foram registrados recrutas de Haemulon spp. (família Haemulidae) e exemplares de todas as faixas etárias da donzelinha (S.variabilis) (família Pomacentridae).

Dentre os invertebrados foram observados:

CNIDARIA: Actinoporus cf. elegans (Anêmona-tapete), Favia sp. (Cora-cerebro) e Siderastrea stellata (Coral-cerebro).

CRUSTACEA: Callinectes sp. (Sirís) e Periclimenes logicaudatus (Camarãozinho-de-poça).

ECHINODERMA: Echinometra lucunter (pinaúna).

3 comentários:

Bruno Menezes disse...

parabens ai negao pelo mergulho!!! pena eu nao ter ido com vocês, mas na proxima quem sabe!!!!

Kelly Fuchs disse...

Rodrigão, o nome da alga correto é: Caulerpa sertularioides!

Gostei muito de ver as verdinhas por aqui. Bjs!

Rodrigo Maia-Nogueira (Pivni) disse...

Ola Kelly, já fiz o ajuste e o nome já está correto lá ... Valeeeuu!!!
As verdinhas vão estar sempre aqui agora, só preciso que as identifiquem hehehe!!
Beijos!!